O cão comunitário Orelha morreu após ser agredido na Praia Brava, uma das regiões mais nobres de Florianópolis. Quatro adolescentes foram identificados como suspeitos do crime de maus-tratos.
Além disso, três adultos, pais e um tio dos adolescentes, foram indiciados por suspeita de coação a uma testemunha durante a investigação. Celebridades, moradores e protetores da causa animal também passaram a cobrar providências das autoridades e pedem que o caso não seja esquecido.
Veja abaixo perguntas e respostas sobre o caso:
1. O que aconteceu?
A Polícia Civil aponta que Orelha foi agredido no dia 4 de janeiro, na Praia Brava. Ele foi encontrado ferido e agonizando por pessoas que estavam no local, levado a uma clínica veterinária e, no dia 5 de janeiro, submetido à eutanásia devido à gravidade dos ferimentos.
Exames periciais indicaram que o cão foi atingido na cabeça com um objeto contundente, ou seja, sem ponta ou lâmina. O objeto usado na agressão não foi localizado.
2. Quem são os suspeitos pela agressão?
Quatro adolescentes foram identificados como suspeitos de cometer o crime de maus-tratos contra o cão. Os nomes e idades não foram divulgados, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Dois deles estão em Florianópolis e foram alvos de uma operação policial na segunda-feira (26). Os outros dois estão nos Estados Unidos, em uma viagem pré-programada.
3. Há imagens do crime?
Não existem imagens do momento exato da agressão, segundo a Polícia Civil. Segundo a delegada Mardjoli Valcareggi, a identificação dos suspeitos foi possível a partir da análise de outros registros feitos na região no mesmo período, além de depoimentos de testemunhas.
A Polícia Civil informou que analisa mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança.
4. O grupo cometeu outros maus-tratos?
A investigação também apura uma tentativa de afogamento de outro cão comunitário, chamado Caramelo, na mesma praia.
Há imagens dos adolescentes pegando o animal no colo e testemunhas relataram que viram o grupo jogando o cachorro no mar.
5. Por que três adultos foram indiciados?
Três adultos, dois pais e um tio dos adolescentes, foram indiciados suspeitos de coagir uma testemunha durante a investigação do caso.
Segundo a Polícia Civil, a vítima da coação foi o vigilante de um condomínio, que teria uma foto que poderia ajudar a esclarecer o crime. Por segurança, ele foi afastado do trabalho.
6. O que é o crime de coação?
Coação é o crime de ameaçar ou constranger pessoas envolvidas em um processo judicial, como testemunhas, vítimas ou réus, com o objetivo de interferir no andamento da investigação ou no resultado do processo.
7. Quantas pessoas foram ouvidas na investigação?
Em coletiva à imprensa nessa terça-feira (27), a Polícia Civil informou que somente no inquérito que apura o crime de coação, 22 pessoas foram ouvidas. A Justiça não autorizou a apreensão de aparelhos eletrônicos dos adultos investigados.
8. Como a investigação foi conduzida?
A apuração foi dividida em duas frentes:Auto de apuração de ato infracional, conduzido pela Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE), para investigar a conduta dos adolescentes;Inquérito policial, conduzido pela Delegacia de Proteção Animal da Capital (DPA), que apurou a coação praticada por familiares e foi concluído na noite de segunda-feira (26).
9. Quem era o cão Orelha?
Orelha era um cão comunitário da Praia Brava e vivia em uma das casinhas mantidas para os animais que se tornaram mascotes da região.
Ele era cuidado por moradores e comerciantes locais e era conhecido por ser dócil, brincalhão e muito querido por quem frequentava a praia, incluindo turistas.





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