A cena do cãozinho Orelha, enrolado em um pano e amparado por mãos humanas em um último Adeus, traz uma mensagem profunda e incômoda para a sociedade brasileira.
Por Cristiano Marcondes, 01 de Fevereiro de 2026.
Não é apenas uma imagem de despedida, mas um retrato doloroso de luto coletivo e, ao mesmo tempo, de uma falha social grave na proteção dos mais frágeis. Quando jovens chegam ao ponto de praticar tamanha brutalidade contra um ser que não tem como se defender, isso revela algo muito maior do que um caso isolado: "expõe um problema estrutural ligado à falta de educação emocional, à ausência de valores sólidos e à ineficiência na responsabilização de atos violentos".
A violência contra animais não surge de forma espontânea. Ela costuma ser um dos primeiros sinais de desumanização, de empatia quebrada e de uma cultura que vem normalizando comportamentos cruéis. Ignorar, silenciar ou tentar justificar esse tipo de crime apenas fortalece a impunidade e cria um terreno perigoso para que agressões ainda mais graves se tornem comuns no futuro.
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Orelha não representa só a perda de um cachorro. Ele se tornou o símbolo de um sistema que falha em ensinar respeito, em proteger vidas vulneráveis e em aplicar a justiça de forma efetiva. Pedir justiça por Orelha é, no fundo, exigir uma sociedade que não aceite a crueldade como algo banal, que reconheça o valor da vida em todas as suas formas e que compreenda que quem aprende a machucar um animal indefeso hoje pode, amanhã, tratar o sofrimento humano com a mesma indiferença.





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